segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Brasil

Vídeo de ato no Rio leva Ministério da Igualdade Racial a pedir apuração

Ofícios foram enviados ao Ministério da Justiça e à Procuradoria Regional Eleitoral após imagens mostrarem um homem negro acorrentado durante manifestação em apoio a Flávio Bolsonaro.
Vídeo de ato no Rio leva Ministério da Igualdade Racial a pedir apuração
Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos

O Ministério da Igualdade Racial encaminhou, no dia 25, ofícios ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria Regional Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro para solicitar a investigação de uma cena registrada durante um ato de campanha em apoio ao candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL). A manifestação ocorreu no dia 24, na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

O pedido foi motivado por um vídeo publicado em redes sociais e sites de notícias. Nas imagens, um homem branco aparece conduzindo um homem negro acorrentado durante o evento. O Ministério da Igualdade Racial classificou o episódio como crime racista e pediu que os dois órgãos apurem as circunstâncias da ocorrência.

Imagem e referências usadas na gravação

De acordo com a descrição divulgada, o homem que conduzia o outro usava calça e jaqueta nas cores verde e branco, com aplicações da bandeira do Brasil, além de camisa e tênis azuis. O homem negro vestia uma camisa listrada em vermelho e preto, bermuda preta e carregava um tridente.

Durante a gravação, o homem branco se referia ao homem negro como “Luladrão, Satanás e Capiroto”. O vídeo foi associado ao último ato de campanha de Flávio Bolsonaro, que estava em um trio elétrico acompanhado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL).

Em nota, o Ministério da Igualdade Racial afirmou que considera “inaceitável” a presença de uma pessoa negra acorrentada e humilhada. A pasta também relacionou a cena às marcas do período escravagista e declarou que situações desse tipo teriam significado especialmente grave no contexto eleitoral.

Pedidos ainda dependem de apuração

Até as informações divulgadas, o que estava documentado era o encaminhamento dos ofícios para que o Ministério da Justiça e a Procuradoria Regional Eleitoral analisassem o caso. Não foram apresentados, na divulgação, detalhes sobre prazo para as apurações, responsáveis pela condução dos procedimentos ou eventuais respostas dos órgãos acionados. Também não foram informados resultados de investigação ou medidas tomadas em relação às pessoas que aparecem no vídeo.

Mais cedo, a deputada federal eleita pelo Rio de Janeiro Anielle Franco (PT) havia publicado uma mensagem na rede social X dizendo que procuraria o Ministério da Igualdade Racial para tratar de dois episódios: o caso registrado na Barra da Tijuca e uma ocorrência de intolerância religiosa em Belo Horizonte.

Na capital mineira, segundo a publicação, uma mulher rasgou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante um ato em apoio a Flávio Bolsonaro. Anielle afirmou que buscaria informações sobre as medidas cabíveis nos dois casos.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos