A história do Gama está diretamente ligada à construção de Brasília. A Região Administrativa, localizada na porção sudoeste do Distrito Federal, surgiu em uma área ocupada por antigas fazendas e se consolidou como um dos primeiros núcleos urbanos associados à nova capital brasileira.
As terras que deram origem ao Gama pertenciam às fazendas Gama, Ponte Alta, Ipê e Alagado. Antes da transferência da capital, a área fazia parte do território ligado à antiga Santa Luzia, atual Luziânia, em Goiás. Com a criação do Distrito Federal no Planalto Central, essas propriedades passaram a integrar o espaço destinado à implantação de Brasília.
Do território rural ao núcleo urbano
O levantamento realizado no Censo Experimental de Brasília, em 1959, registrou cerca de 1.000 moradores na área que posteriormente formaria o Gama. A população estava distribuída principalmente nas proximidades das antigas fazendas Gama, Ponte Alta e Ipê.
O primeiro núcleo habitacional foi implantado em 1960, no período de inauguração de Brasília. A ocupação fazia parte da política de organização urbana da nova capital e também atendia famílias retiradas de áreas provisórias próximas às obras. Segundo registros oficiais, 30 famílias transferidas da região da barragem do Lago Paranoá foram assentadas no local.
As primeiras construções eram simples, muitas feitas de madeira, e ainda não contavam com infraestrutura completa de água encanada, iluminação e esgotamento sanitário. A formação do Gama revela, portanto, uma dimensão menos conhecida da construção de Brasília: a criação de cidades destinadas a abrigar trabalhadores e moradores deslocados pelo avanço das obras.
Origem do nome Gama
O nome da cidade vem da Fazenda Gama e também está associado ao platô e ao ribeirão que cortam a região. A origem exata da denominação não é comprovada, mas registros históricos preservados pela Administração Regional do Gama relacionam o nome ao padre Luís da Gama Mendonça, personagem ligado à ocupação histórica da região de Santa Luzia.
A antiga Fazenda Gama também aparece em registros do período inicial da construção da capital. A área ficou próxima do local escolhido para a instalação do Catetinho, primeira residência oficial de Juscelino Kubitschek no Distrito Federal. O episódio ajuda a conectar a história do Gama aos primeiros anos do projeto de Brasília.
Reconhecimento como Região Administrativa
Embora o núcleo urbano tenha começado a ser formado em 1960, o Gama foi incluído entre as primeiras regiões administrativas do Distrito Federal pela Lei nº 4.545, de 1964. Mais tarde, a organização administrativa da cidade foi reafirmada pela Lei nº 49/1989 e pelo Decreto nº 11.921/1989.
Ao longo das décadas, o Gama deixou de ser apenas uma área de assentamento vinculada às obras da capital e passou a exercer papel próprio na vida do Distrito Federal. A região reúne áreas urbanas, núcleos rurais e espaços ligados às antigas fazendas, mantendo vestígios da paisagem e da ocupação que antecederam a Brasília planejada por Lúcio Costa.
Preservar a história do Gama significa reconhecer que Brasília não foi construída somente no Plano Piloto. A formação da capital também ocorreu nos territórios que receberam famílias, trabalhadores e comunidades responsáveis por dar continuidade à vida urbana do Distrito Federal.